eu ainda era bem criança quando olhei prum céu azul e notei uma pequena mancha que acompanhava meu olhar, minhas piscadas, pra então sumir sem aviso algum.

sempre fui curiosa. minha mãe dizia que eram mosquinhas.

a mesma forma, sempre.


mais tarde eu descobri que as mosquinhas são moscas volantes, pequenos descolamentos na retina que formam cobrinhas engraçadas ao flutuar no líquido do vítreo óptico. a gente olha pro céu e as vezes as percebe ali dentro.

a mesma forma, sempre.


eu era bem jovem e não sabia de muita coisa quando te vi pela primeira vez.

sempre fui curiosa. quis ver mais de você.

quis olhar direto pro sol e a luz doeu meus olhos do lado de dentro.


me cegou por um tempo.


por anos fui obcecada pela mosca que dançava além da minha visão. por outros, me vi na escuridão e esqueci dela.

a mesma forma, sempre.


quando te chamei de mosca volante, você me explicou o que era o fosfeno. disse que é o que acontece quando fechamos os olhos com força e vemos manchas claras se formando na escuridão das pálpebras.

acho que preferimos assim.


mas hoje eu olhei pro céu só por um instante.

só pra te ver dançar.

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